A prótese de quadril por via anterior é uma das formas de acesso à articulação durante a artroplastia do quadril. Nessa técnica, o cirurgião alcança a articulação pela região anterior do quadril.
Ela pode ser considerada em determinados pacientes, mas a escolha da via de acesso não deve ser feita apenas porque uma técnica parece mais nova ou porque alguém teve boa experiência com ela.
Diagnóstico, anatomia, condições clínicas, características da cirurgia e treinamento do cirurgião precisam ser analisados individualmente.
O que significa “via anterior” na cirurgia de prótese de quadril?
Na artroplastia total do quadril, as superfícies articulares comprometidas são substituídas por componentes protéticos.
Para alcançar a articulação, existem diferentes vias cirúrgicas.
Entre elas estão abordagens anterior, lateral e posterior.
Na chamada via anterior direta, o acesso ocorre pela parte anterior do quadril, utilizando um intervalo anatômico entre estruturas musculares.
A abordagem é diferente, mas o objetivo fundamental da artroplastia continua sendo substituir as estruturas articulares comprometidas de acordo com o planejamento realizado para cada paciente.
A via anterior é menos invasiva?
É comum encontrar essa expressão na internet, mas ela precisa ser interpretada com cuidado.
A via anterior pode permitir acesso por planos entre músculos, reduzindo a necessidade de desinserção de determinadas estruturas musculares durante o acesso.
Isso não significa, entretanto, que seja uma cirurgia pequena, simples ou sem riscos.
A artroplastia continua sendo um procedimento cirúrgico de grande porte e exige planejamento, técnica, acompanhamento e cuidados pós-operatórios.
A recuperação é sempre mais rápida pela via anterior?
Não existe garantia.
Alguns estudos encontraram vantagens em resultados funcionais muito precoces ou tempo de internação em determinadas comparações. Entretanto, revisões científicas também mostram que as diferenças tendem a diminuir com o tempo e não sustentam a conclusão de que uma única via seja superior para todos os pacientes.
A própria diretriz de 2023 da American Academy of Orthopaedic Surgeons afirma que existem riscos e benefícios específicos para cada abordagem e não recomenda uma única via cirúrgica como preferível para todos os pacientes com artrose sintomática submetidos à artroplastia total do quadril.
Por isso, frases como “recuperação garantidamente mais rápida” ou “melhor técnica” não representam adequadamente a evidência disponível.
Em quais situações a via anterior pode ser considerada?
A indicação depende de avaliação individual.
Entre os fatores que podem participar da escolha estão:
- diagnóstico que levou à necessidade da artroplastia;
- anatomia do quadril;
- qualidade óssea;
- deformidades existentes;
- cirurgias anteriores;
- características do paciente;
- planejamento dos componentes;
- complexidade prevista do procedimento;
- experiência e treinamento do cirurgião com determinada abordagem.
Isso significa que dois pacientes com artrose do quadril podem receber planejamentos cirúrgicos diferentes.
A via anterior serve para qualquer paciente?
Não é adequado afirmar que uma técnica é indicada para todos.
Determinadas alterações anatômicas, cirurgias prévias, deformidades, qualidade óssea e complexidade do caso podem influenciar a escolha do acesso.
A decisão também depende da capacidade de executar a técnica com segurança dentro daquele cenário específico.
Por isso, a pergunta mais importante não é somente:
“Posso fazer pela via anterior?”
Uma pergunta mais completa é:
“Qual abordagem é mais adequada para o meu quadril e por quê?”
A experiência do cirurgião com a técnica importa?
Sim.
A via anterior possui características técnicas próprias e uma curva de aprendizado descrita na literatura. Uma revisão sistemática publicada em 2026 encontrou que a fase inicial de adoção da técnica pode estar associada a complicações e reoperações, reforçando a importância de treinamento estruturado e seleção adequada dos pacientes.
Portanto, a escolha da abordagem não deve se basear apenas no nome da técnica.
Experiência, treinamento, planejamento e adequação ao caso são aspectos importantes.
O Dr. Daniel Rebolledo possui treinamento e realiza artroplastias do quadril pela via anterior em situações nas quais essa abordagem é considerada adequada ao caso.
A cicatriz é menor?
O tamanho e a localização da incisão podem variar.
Embora determinadas técnicas possam utilizar incisões relativamente menores, o tamanho da cicatriz depende de fatores como anatomia, composição corporal, complexidade da cirurgia e necessidade de exposição adequada.
Uma incisão menor, isoladamente, não determina a qualidade ou o resultado da artroplastia.
Existem riscos específicos?
Toda artroplastia possui riscos que devem ser discutidos individualmente.
Entre os riscos gerais relacionados à substituição do quadril estão infecção, trombose, alterações de comprimento, fraturas, luxação, lesões neurovasculares, problemas relacionados aos componentes e necessidade futura de revisão.
As diferentes vias também apresentam características próprias.
Por isso, a escolha envolve equilíbrio entre vantagens, limitações e riscos, e não a ideia de que uma técnica elimina as complicações da cirurgia.
Via anterior, lateral ou posterior: qual é melhor?
Não existe uma resposta universal.
Comparações científicas mostram diferenças em determinados resultados precoces, mas a evidência disponível não estabelece uma abordagem única como superior em todos os contextos. Uma meta-análise de ensaios randomizados concluiu que a escolha deve considerar fatores do paciente e a experiência do cirurgião.
Uma técnica bem indicada e corretamente executada é mais importante do que escolher uma abordagem exclusivamente pelo nome.
O que deve ser avaliado antes de decidir a via cirúrgica?
Durante a consulta, podem ser analisados:
- motivo da indicação da prótese;
- intensidade da dor e limitação;
- radiografias e outros exames;
- anatomia do quadril;
- condição óssea;
- doenças associadas;
- cirurgias anteriores;
- rotina e nível de atividade;
- expectativas;
- riscos individuais;
- planejamento do procedimento.
Somente depois dessa avaliação é possível discutir qual abordagem pode ser mais adequada.
Perguntas frequentes
Via anterior significa que os músculos não são afetados?
A técnica utiliza um acesso anatômico diferente de outras abordagens, mas qualquer cirurgia envolve manipulação de tecidos. O termo não deve ser entendido como ausência completa de trauma cirúrgico.
A via anterior reduz o risco de luxação?
Alguns estudos avaliaram diferenças entre abordagens, mas os resultados dependem de diversos fatores. As evidências atuais não justificam apresentar a via anterior como garantia de menor risco para todos os pacientes.
Quem já colocou prótese de um lado pode operar o outro pela via anterior?
Pode ser uma possibilidade em determinados casos, mas a abordagem precisa ser reavaliada para cada quadril.
A via anterior permite voltar ao trabalho mais rápido?
O retorno depende do tipo de trabalho, condições clínicas, recuperação individual e orientação da equipe. A literatura ainda não demonstra vantagem uniforme da via anterior para retorno ao trabalho em comparação com todas as outras abordagens.
A técnica deve ser escolhida para o paciente, não o contrário
A via anterior é uma alternativa técnica válida para artroplastia do quadril e pode fazer parte do planejamento de determinados pacientes.
Entretanto, não existe uma via única adequada para todos.
A decisão deve considerar diagnóstico, anatomia, complexidade, condições clínicas, riscos e experiência do cirurgião com a abordagem.
Para mais informações, acesse os canais de comunicação oficiais.
Dr. Daniel Rebolledo
Cirurgião de Quadril e Oncologista Ortopédico
CRM-SP 104291 | RQE 10.207 — Ortopedia e Traumatologia
Atendimento em São Paulo e Santo André.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica individualizada.
Fontes médicas consultadas:
American Academy of Orthopaedic Surgeons — Management of Osteoarthritis of the Hip Clinical Practice Guideline.
Meta-análise de ensaios clínicos comparando via anterior, posterior e lateral na artroplastia do quadril.
Revisões sistemáticas sobre via anterior e sua curva de aprendizado.

O Dr. Daniel é Oncologista Ortopédico e Especialista em Cirurgia do Quadril, tendo grande reconhecimento nessa área pelo Brasil e mundo afora. Hoje ele é credenciado e realiza cirurgias em Hospitais famosos como: Albert Einstein, Hospital Sírio-Libanes, Oswaldo Cruz e Hospital Santa Catarina, sendo referência no tratamento de problemas oncológicos ortopédicos e também como Especialista em cirurgia do quadril.
Membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT)
Membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Ortopédica
Membro da Sociedade Internacional de Salvamento de Membro (ISOLS)
Médico Assistente do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP)
Médico Consultor do Grupo de Oncologia Ortopédica do Hospital Mário Covas da Faculdade de Medicina do ABC
Membro da diretoria da Associação Brasileira de Oncologia Ortopédica