Metástase Óssea no Quadril: sintomas, risco de fratura e quando a cirurgia pode ser indicada

Dor no quadril? Entenda a Metástase Óssea no Quadril: sintomas, diagnóstico, tratamentos e quando a cirurgia é essencial para seu controle.
Ressonância magnética (RM) no quadril e fêmur

A metástase óssea no quadril acontece quando células de um câncer originado em outro órgão chegam ao tecido ósseo e formam uma nova lesão. A região afetada pode envolver a pelve, o acetábulo — onde a cabeça do fêmur se encaixa — e o fêmur proximal.

Por suportar grande parte do peso corporal, o quadril participa de atividades essenciais, como caminhar, levantar, sentar, subir escadas e entrar no carro. Quando uma metástase compromete essa região, pode provocar dor, fragilidade óssea e risco de fratura patológica.

O diagnóstico de uma metástase não significa, automaticamente, que não existam possibilidades de cuidado. A abordagem pode combinar oncologia clínica, radioterapia, medicamentos, tratamentos direcionados ao osso e procedimentos ortopédicos.

Na Ortopedia Oncológica, o objetivo da cirurgia nem sempre é retirar completamente a doença. Em muitos casos, busca-se controlar a dor, proteger ou reconstruir o osso, preservar a mobilidade e permitir a continuidade do tratamento oncológico.

Veja no vídeo como a metástase óssea pode afetar o quadril, quais sintomas merecem avaliação e quando a cirurgia pode ser considerada.

O que é uma metástase óssea?

A metástase óssea ocorre quando células de um tumor primário se disseminam, geralmente pela circulação, e se instalam em um osso.

Ela é diferente de um tumor ósseo primário. No tumor primário, a doença começa no próprio osso. Na metástase, a origem está em outro órgão.

Conforme explicado pelo Dr. Daniel Rebolledo no vídeo que serve de base para este artigo, cinco tipos de câncer estão relacionados a grande parte das metástases ósseas:

  • câncer de mama;
  • câncer de próstata;
  • câncer de pulmão;
  • câncer de rim;
  • câncer de tireoide.

No vídeo, o Dr. Daniel cita que esses tumores representam aproximadamente 80% dos casos de metástase óssea. Também explica que o comprometimento ósseo pode ocorrer em 60% a 75% dos pacientes com câncer de mama metastático e em 60% a 90% dos pacientes com câncer de próstata avançado.

Essas porcentagens variam conforme o estágio da doença, o grupo estudado e os critérios utilizados. Elas não representam o risco individual de cada paciente.

Por que a região do quadril exige atenção?

O fêmur proximal, especialmente as regiões da cabeça, colo e área intertrocantérica, é submetido a cargas importantes durante a marcha.

Segundo os dados apresentados no vídeo, essa região pode estar envolvida em aproximadamente 30% a 50% das metástases ósseas.

Quando a lesão reduz a resistência mecânica do osso, atividades comuns podem se tornar dolorosas. Em casos mais avançados, existe risco de fratura mesmo sem um trauma importante.

Por isso, uma das principais perguntas da avaliação ortopédica é: o osso ainda consegue suportar as cargas do dia a dia com segurança?

Quais são os sintomas da metástase óssea no quadril?

O principal sintoma é a dor. Entretanto, sua presença não confirma uma metástase, pois artrose, tendinites, bursites, fraturas e outras condições também podem provocar sintomas semelhantes.

Quando relacionada a uma lesão óssea, a dor pode apresentar características como:

  • localização na virilha;
  • dor na parte lateral do quadril;
  • desconforto na região glútea;
  • irradiação para a coxa;
  • piora progressiva;
  • presença mesmo em repouso;
  • piora durante a noite;
  • dificuldade para apoiar o membro;
  • limitação para caminhar;
  • dificuldade para levantar, agachar ou subir escadas;
  • desconforto ao calçar meias ou sapatos.

Em alguns casos, pode haver aumento de volume, mas esse achado não está presente em todos os pacientes.

Em pessoas que já tratam ou trataram um câncer, uma dor nova, persistente e progressiva merece ser comunicada à equipe responsável.

O que é uma fratura patológica?

A fratura patológica é uma quebra que acontece em um osso enfraquecido por alguma doença.

Quando existe metástase óssea, o osso pode perder resistência e fraturar após um movimento cotidiano, uma torção, um pequeno tropeço ou outro evento que normalmente não provocaria uma fratura.

No vídeo, o Dr. Daniel relata que mais de 70% dos pacientes que apresentam uma fratura patológica na região do quadril tiveram dor progressiva durante semanas ou meses antes do evento.

Esse dado reforça a importância de investigar a dor antes que ocorra perda súbita da capacidade de apoiar ou caminhar.

Como é avaliado o risco de fratura?

A avaliação combina sintomas, histórico oncológico, exame físico e exames de imagem.

Radiografia

A radiografia pode mostrar:

  • localização da lesão;
  • perda de estrutura óssea;
  • comprometimento da cortical;
  • padrão lítico, blástico ou misto;
  • presença de deformidade ou fratura.

Um dos instrumentos utilizados é o Escore de Mirels. Ele considera localização, tamanho, tipo radiográfico da lesão e intensidade da dor.

O escore pode ajudar na tomada de decisão, mas possui limitações, principalmente por apresentar baixa especificidade em alguns grupos. Portanto, não deve ser usado isoladamente.

Tomografia computadorizada

A tomografia permite avaliar com mais detalhes a estrutura do osso, o comprometimento da cortical e a resistência mecânica da região.

Em determinadas situações, ela oferece informações importantes para o planejamento de uma fixação preventiva ou reconstrução.

Ressonância magnética

A ressonância ajuda a identificar a extensão da infiltração na medula óssea e o comprometimento das partes moles.

Entretanto, uma alteração extensa na ressonância não significa necessariamente que a resistência mecânica esteja perdida na mesma proporção. A imagem deve ser interpretada junto aos demais exames.

Quando a cirurgia preventiva pode ser considerada?

Quando existe risco elevado de fratura, pode ser considerada uma fixação profilática, realizada antes de o osso quebrar.

A decisão depende de fatores como:

  • intensidade e progressão da dor;
  • tamanho e localização da lesão;
  • comprometimento da cortical;
  • resistência do osso;
  • expectativa e objetivos do tratamento oncológico;
  • estado clínico e funcional;
  • tipo do tumor primário;
  • resposta esperada ao tratamento sistêmico;
  • possibilidade de recuperação após o procedimento.

Estudos observacionais associam a estabilização profilática a menor tempo de internação e melhores resultados pós-operatórios em comparação com a cirurgia realizada depois de uma fratura completa. Entretanto, parte dessa diferença pode decorrer do estado clínico distinto entre os grupos.

Por isso, em vez da frase absoluta “prevenir a fratura previne a mortalidade”, a interpretação mais prudente é: identificar e tratar adequadamente uma lesão com alto risco pode reduzir complicações relacionadas à fratura e à imobilidade.

Quais cirurgias podem ser realizadas?

Haste intramedular bloqueada

A haste é inserida no canal interno do fêmur para reforçar o osso.

Pode ser utilizada na prevenção de determinadas fraturas e no tratamento de alguns casos já fraturados. A técnica escolhida depende da localização e da extensão da lesão.

A fixação profilática pode favorecer mobilização pós-operatória mais precoce em pacientes selecionados.

Prótese de quadril

Quando a lesão compromete a cabeça ou o colo do fêmur, ou quando existe destruição articular relevante, uma prótese pode entrar na avaliação.

A escolha entre fixação e substituição da articulação considera a anatomia, a extensão da doença, a qualidade do osso e a expectativa funcional.

Endoprótese não convencional

Lesões extensas podem exigir a retirada de um segmento comprometido e sua substituição por uma endoprótese.

Esses implantes são utilizados em reconstruções mais complexas e devem ser planejados de acordo com o caso.

Reconstrução do acetábulo

Quando a metástase compromete a parte da pelve que recebe a cabeça do fêmur, pode ser necessária uma reconstrução com componentes protéticos, parafusos, cimento ortopédico ou outros dispositivos.

A radioterapia pode substituir a cirurgia?

A radioterapia pode contribuir para o controle da dor e da doença local, mas não restaura a resistência de um osso que já apresenta risco mecânico elevado.

Portanto, quando existe indicação de estabilização ortopédica, a radioterapia não deve ser tratada automaticamente como substituta da cirurgia.

O planejamento pode envolver cirurgia seguida de radioterapia, radioterapia isolada ou tratamento sistêmico, conforme o risco de fratura, os sintomas e os objetivos oncológicos.

Por que preservar a mobilidade é tão importante?

A perda da capacidade de caminhar pode aumentar o risco de:

  • trombose;
  • complicações pulmonares;
  • lesões por pressão;
  • infecções;
  • perda de força e massa muscular;
  • redução da independência.

Estudos sobre repouso e imobilidade confirmam que a perda muscular pode começar rapidamente, mas a velocidade não é igual em todas as pessoas. O número de 1% a 1,5% ao dia, citado no vídeo, não deve ser interpretado como uma regra universal. A literatura mostra variação conforme idade, músculo avaliado, duração da imobilidade e estado clínico.

Mesmo assim, a mensagem permanece importante: preservar ou recuperar a mobilidade pode influenciar a autonomia, o conforto e a capacidade de continuar o tratamento.

Como resume o Dr. Daniel no vídeo: “Andar não é apenas uma questão de locomoção, é uma questão de dignidade.”

O tratamento precisa ser multidisciplinar

A cirurgia ortopédica não controla, sozinha, o câncer em todo o organismo.

A condução pode envolver:

  • oncologia clínica;
  • radioterapia;
  • Ortopedia Oncológica;
  • cuidados da dor;
  • fisioterapia;
  • reabilitação;
  • medicamentos direcionados ao osso;
  • outras áreas conforme o quadro.

A equipe analisa não apenas a imagem, mas também a condição geral, o prognóstico, os objetivos do paciente e o impacto esperado de cada intervenção.

Perguntas frequentes

Metástase óssea no quadril sempre precisa de cirurgia?

Não. A indicação depende da dor, do risco de fratura, da extensão da lesão, da resposta a outros tratamentos e das condições clínicas.

Dor noturna significa metástase?

Não. Esse sintoma pode ocorrer em diferentes doenças. Em pacientes oncológicos, deve ser analisado no contexto.

Uma pessoa com metástase pode continuar caminhando?

Em muitos casos, sim. O tratamento busca preservar a mobilidade, mas a orientação sobre apoio e carga depende do risco de fratura.

A haste intramedular retira o tumor?

Seu principal objetivo é estabilizar o osso. O controle do câncer depende do tratamento oncológico integrado.

A radioterapia trata a dor?

Pode ajudar no controle da dor em muitos pacientes, mas sua indicação e combinação com cirurgia dependem da estabilidade do osso.

Avaliação em São Paulo e Santo André

Pacientes com câncer e dor persistente no quadril, alteração no fêmur ou na pelve e suspeita de risco de fratura podem precisar de avaliação conjunta entre Oncologia e Ortopedia Oncológica.

O Dr. Daniel César Seguel Rebolledo atende em São Paulo e Santo André, no ABC, com atuação em Ortopedia e Traumatologia, Cirurgia de Quadril e Oncologia Ortopédica.

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Dr. Daniel César Seguel Rebolledo
Cirurgião de Quadril e Oncologista Ortopédico
CRM-SP 104291 | RQE 10.207 em Ortopedia e Traumatologia
Atendimento em São Paulo e Santo André

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica individualizada.

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O Dr. Daniel é Oncologista Ortopédico  e Especialista em Cirurgia do Quadril, tendo grande reconhecimento nessa área pelo Brasil e mundo afora. Hoje ele é credenciado e realiza cirurgias em Hospitais famosos como: Albert Einstein, Hospital Sírio-Libanes, Oswaldo Cruz e Hospital Santa Catarina, sendo referência no tratamento de problemas oncológicos ortopédicos e também como Especialista em cirurgia do quadril.
Membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT)
Membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Ortopédica
Membro da Sociedade Internacional de Salvamento de Membro (ISOLS)
Médico Assistente do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP)
Médico Consultor do Grupo de Oncologia Ortopédica do Hospital Mário Covas da Faculdade de Medicina do ABC
Membro da diretoria da Associação Brasileira de Oncologia Ortopédica