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Sarcomas de Partes Moles | Dr. Daniel Rebolledo

Sarcomas de partes moles

Os sarcomas são tipos raros de câncer. Eles se originam,  na maior parte da vezes, de tecidos de sustentação do corpo como músculo,cartilagem, vasos, tecido gorduroso e sinovial. Todos estes  tipos de tumores, são chamados de sarcomas de partes moles.

A maioria dos sarcomas de partes moles está localizada no abdômen,  nos membros inferiores e superiores, mas podem surgir em outros locais do corpo.

Existem mais de 50 subtipos de sarcomas de partes moles, sendo que alguns são mais comuns em crianças, e outros em adultos. Cada um têm um comportamento  e um prognóstico específico.

Os sintomas iniciais dos sarcomas costumam ser discretos, e por isso, o diagnóstico pode levar bastante tempo para ser realizado.

Os sarcomas de partes moles surgem como um pequeno nódulo ou “caroço” que costuma crescer lentamente. No início ele costuma ser indolor. Normalmente , os nódulos maiores que 5cm são suspeitos para câncer. Por isso, é importante que qualquer aumento de volume maior 5cm seja avaliado por especialista, mesmo que o paciente não tenha dor.

Na suspeita de um sarcoma de partes moles, deve ser realizada ressonância magnética para melhor avaliação. Caso estes exames mostrem lesões suspeitas para sarcoma, o diagnóstico deve ser confirmado através da realização de uma biópsia.

De forma geral, a maioria dos sarcomas de partes moles devem ser tratados cirurgicamente. Radioterapia e quimioterapia podem ser utilizados de acordo com o tipo de tumor.

PerguntasFrequentes

Qual a faixa etária dos pacientes com sarcoma?

Os sarcomas podem acometer tanto crianças como adultos. Em crianças , eles representam cerca de 15% de todos os tipos de câncer, enquanto que nos adultos eles são mais raros.

Quais os locais mais comuns de sarcomas de partes moles?

O local mais comum de aparecimento dos sarcomas de partes moles é a coxa, mas também pode aparecer nas regiões de braços, pernas, abdome e pescoço.

Quando a doença se dissemina para outros locais do corpo , essas novas lesões são chamadas de metástases. Elas são mais comuns nos pulmões, podendo atingir também o sistema linfático e outros ossos em uma parcela menor dos casos.

Quais os sarcomas de partes moles mais comuns?

Existem mais de 50 subtipos de sarcoma. Cada um tem um comportamento e tratamento específico. 

Os sarcomas de partes moles mais comuns são:

  • Lipossarcoma.
  • Sarcoma sinovial.
  • Leiomiossarcoma.
  • Sarcoma Pleomórfico.
  • Sarcoma alveolar.
  • Angiossarcoma.
  • Sarcoma de células claras.
  • Dermatofibrossarcoma protuberans.
  • Sarcoma epitelióide.
  • Fibrossarcoma.
  • Fibrossarcoma infantil.

Qual a causa dos sarcomas?

Não existe uma causa única para o surgimento dos sarcomas, e na maioria das vezes, eles surgem de maneira aleatória, sem causa aparente. Eles não tem relação com trauma local, com cigarro ou uso de bebidas alcoólicas como outros tipos de câncer.

Em geral, o câncer ocorre quando as células desenvolvem erros (mutações) no seu DNA. As mutações fazem com que as células cresçam e se dividam sem controle. As células anormais que se acumulam, formam um nódulo que é chamado de  tumor que pode crescer e invadir estruturas vizinhas e vasos sanguíneos podendo se espalhar para outras partes do corpo. O tipo de célula que se desenvolve a partir dessa mutação genética determina o tipo de sarcoma de partes moles em questão.

 

De qualquer maneira, existem algumas situações que favorecem seu aparecimento. Entre elas podemos citar:

  • Irradiação prévia: pacientes com tumores prévios que foram irradiados podem desenvolver um sarcoma no local irradiado.
  • Síndromes genéticas: pacientes com algumas síndromes como Li- Fraumeni, neurofibromatose, retinoblastoma e  síndrome de Gardner têm maior risco de desenvolverem novos sarcomas
  • Exposição à substâncias tóxicas.

Quais são os sintomas?

Os sintomas iniciais dos sarcomas costumam ser discretos, e por isso, o diagnóstico pode levar bastante tempo para ser realizado.

Os sarcomas de partes moles surgem como um pequeno nódulo ou “caroço” que costuma crescer lentamente. No início ele costuma ser indolor e não causa inflamação local. Normalmente , os nódulos maiores que 5cm são suspeitos para câncer. Por isso, é importante que qualquer aumento de volume maior 5cm seja avaliado por especialista, mesmo que o paciente não tenha dor.

Caso haja suspeita de um sarcoma de partes moles, é melhor procurar atendimento em um centro médico especializado no tratamento deste tipo de câncer. Médicos especialistas irão discutir desde a melhor técnica de biópsia até o tratamento cirúrgico adequado e a necessidade de radioterapia e quimioterapia adjuvantes.

Como é feito o diagnóstico?

Não existe prevenção ou exame laboratorial que diagnostique um sarcoma. Por este motivo, é muito importante saber dos sinais de alerta e passar em avaliação com especialista o mais rápido possível.

Na consulta, o médico especialista irá avaliar a história e realizar exame físico do local suspeito. Na maioria dos casos, serão necessários exames de imagem para melhor avaliação.

No caso dos sarcomas de partes moles, a radiografia e ultrassonografia não são suficientes para uma boa avaliação inicial. Deve ser realizada ressonância magnética para melhor avaliação.

Caso estes exames mostrem lesões suspeitas para sarcoma, o diagnóstico deve ser confirmado através da realização de uma biópsia. A biópsia é um procedimento realizado para retirada de pequena quantidade de tumor que será analisada em laboratório por patologista. A biópsia pode ser feita por agulha ou por uma pequena incisão  por procedimento cirúrgico.

  No laboratório são realizados os exames anatomopatológico e imunohistoquímica para confirmação diagnóstica. No laboratório de anatomia patológica, um médico treinado na análise de tecidos do corpo (patologista) examina a amostra de tecido para detectar sinais de câncer. O patologista também analisa a amostra para compreender o tipo de câncer e para determinar se o câncer é agressivo.

Caso seja confirmado o diagnóstico , devem ser feitos alguns exames para avaliar se a lesão está localizada ou se existem outros focos de doença pelo corpo (metástases). No caso de sarcomas de partes moles, são solicitadas Tomografias ou PET-CT, que é um exame que avalia o corpo inteiro com maior precisão

Como é feito o tratamento?

O tratamento vai depender do tipo de tumor, de sua localização, e se ele está em outras partes do corpo (metástases).

O principal tratamento para os sarcomas é a cirurgia. O objetivo do tratamento cirúrgico é retirar o tumor com margens de segurança. Isso inclui a musculatura que está ao redor do tumor e em muitos casos, vasos, nervos e osso que podem estar invadidos pelo tumor.  O resultado funcional de uma cirurgia de ressecção de sarcoma pode ser muito bom, mas em casos mais agressivos, pode haver grande déficit funcional, complicações e sequelas. Em casos mais extremos, pode ser necessária amputação do membro.

De forma geral, podemos dividir as opções de tratamento pelo grau de agressividade do tumor:

-sarcomas de baixo grau: Os sarcomas de partes moles de baixo grau devem ser tratados cirurgicamente. Eles devem ser ressecados com margem de segurança para aumentar a chance de cura.

– sarcomas de alto grau: a cirurgia de ressecção do tumor com margens de segurança ainda é o tratamento principal, mas outras terapias devem ser utilizadas para aumentar a chance de cura.

  • Radioterapia: este é um tratamento no qual o tumor é tratado  com altas doses de radiação. Ela costuma ser realizada como terapia adjuvante no tratamento de sarcomas de partes moles de alto grau para tentar diminuir a chance do tumor voltar no local. Pode ser realizada antes ou depois da cirurgia.
  • Quimioterapia: a quimioterapia é feita com medicamentos injetados no sangue que combatem as células tumorais que estão se dividindo. Ela trata as possíveis metástases, mas seu benefício ainda não está plenamente estabelecido. Deve ser discutida sua indicação caso a caso e pode ser realizada antes e depois da cirurgia. O rabdomiossarcoma é o tumor de partes moles  que mais responde à quimioterapia.
  • Terapias alvo: esta é uma nova modalidade de tratamento que ainda é pouco utilizada nos sarcomas, mas que pode significar um tratamento mais efetivo e com menos efeitos colaterais no futuro.

Sarcoma de partes moles tem cura?

Sim. Grande parte dos sarcomas de partes moles pode ter cura.

Os casos mais favoráveis para cura são aqueles de sarcoma de baixo grau e os de alto grau ainda pequenos e sem metástases. Por isso, é muito importante o diagnóstico precoce e o tratamento em centro médico especializado e com abordagem multidisciplinar. A maior chance de cura ocorre quando o sarcoma é tratado adequadamente no primeiro tratamento.

Nos casos de sarcomas de alto grau de grande tamanho e naqueles metastáticos, as chances de cura são menores e o tratamento é mais difícil,mas mesmo assim existe uma série de tratamentos que devem ser feitos para aumentar a sobrevida do paciente com a melhor qualidade de vida possível.

Dr. Daniel Rebolledo

  • Membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT)
  • Membro da Sociedade Internacional de Salvamento de Membro (ISOLS)
  • Médico Assistente do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP)
  • Médico Consultor do Grupo de Oncologia Ortopédica do Hospital Mário Covas da Faculdade de Medicina do ABC
  • Membro da Associação Brasileira de Oncologia Ortopédica (ABOO)
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