Amputação de Membros

A cirurgia de amputação de membros é das mais antigas da história. 

Apesar de ser considerada um “tabu” em nosso meio, esta cirurgia, quando bem indicada, pode melhorar muito a qualidade de vida dos pacientes.  Ela permite que idosos em cadeira de rodas possam voltar a andar e que jovens possam voltar a ter atividades esportivas.

A amputação de membros não deve ser considerada uma falha no tratamento, mas o início de uma vida mais produtiva e confortável.

É importante saber diversos aspectos desta cirurgia para que seja tomada a melhor decisão:

  • Quais os principais motivos de amputação?
  • Quais são os tipos de amputação?
  • É possível prevenir uma amputação?
  • Como me preparar para a cirurgia de amputação?
  • Quais os riscos e complicações?
  • A cirurgia de amputação. Quais são as etapas?
  • O que é a dor fantasma de amputação?
  • O que acontece após a cirurgia de amputação? 
  • Como é a reabilitação?
  • Vou conseguir usar uma prótese?
  • Quanto dura uma prótese?
  • É difícil usar uma prótese?
  • Quanto custa uma prótese?
  • Impacto psicológico da amputação. Ainda existe um tabu?
  • O que mais o paciente com indicação de amputação deve saber?

PerguntasFrequentes

Quais os principais motivos de amputação?

Os principais motivos de amputação no Brasil são:

  • Doenças vasculares: Muito associadas ao Diabetes mal controlado.
  • Trauma: Grande partes das amputações realizadas no Brasil são por causa traumática, principalmente em acidentes de moto.
  • Tumores: É a terceira maior causa de cirurgias de amputação. Pode ser necessária quando o tumor está muito grande, ou quando atinge estruturas nobres como vasos e nervos.
  • Malformações congênitas: existem situações em que malformações podem tornar um membro muito pouco funcional.

Quais são os tipos de amputação?

Há 2 tipos de amputação: amputações menores e amputações maiores.

As amputações menores incluem aquelas de dedos menores ou de parte deles.

As amputações maiores incluem aquelas dos pés e mãos  até o membro todo.

As amputações de membros, podem ser de membros superiores , ou inferiores.

As amputações de membros superiores incluem a desarticulação escapulotorácica e glenoumeral, transumeral, desarticulação de cotovelo, ao nível do antebraço e desarticulação de punho.

As amputações de membro inferior incluem a desarticulação interileoabdominal (hemipelvectomia externa), desarticulação de quadril, transfemoral, desarticulação de joelho, transtibial, e amputações ao nível do pé  (incluem o tipo Syme).

É possível prevenir uma amputação?

Existem algumas maneiras de prevenir e evitar a cirurgia de amputação. Isto vai depender do motivo da indicação.

Nos casos de doença vascular periférica, a maioria dos casos ocorre por descontrole do diabetes. O acompanhamento e tratamento desta doença poderia evitar diversas cirurgias de amputação.

Nos casos de amputação por conta de tumores é fundamental o diagnóstico precoce e tratamento em centro de referência. Quanto antes é feito o diagnóstico do tumor, melhores as chances de tratamento com a preservação do membro.

Nos casos de amputação por causa traumática,a grande maioria no Brasil ocorre por acidentes automobilísticos de moto. Nesses casos, é mais comum a amputação de membros inferiores. É importante a educação no trânsito e uso de protetor de pernas para as pessoas que usam moto. Estes comportamentos simples podem ajudar na prevenção da amputação de causa traumática. 

Outro motivo de amputação comum no Brasil, é o uso de fogos de artifício. Neste caso, a melhor maneira de prevenção é não utilizar esses esse tipo de artefato, e deixar reservado seu uso para profissionais. 

Como me preparar para a cirurgia de amputação?

Existem vários aspectos que devem ser levados em conta e discutidos antes da cirurgia de amputação. O mais importante nesse momento é que o paciente tenha o máximo de informação possível para passar por todos os obstáculos que virão pela frente.

 

O preparo para cirurgia de amputação inclui:

 

  • Preparo psicológico: muito importante avaliar o impacto psicológico  da cirurgia , desde sua indicação até depois do procedimento. Pode-se dizer que a  cirurgia de amputação é transformadora. É um novo ponto de partida para o paciente. Na grande maioria das vezes não é fácil receber a notícia da indicação. É importante que o paciente receba o máximo de informação para entender o benefício do procedimento, o motivo de ter sido indicada e como será sua nova realidade após a cirurgia.
  • Análise clínica: é importante analisar a saúde geral do paciente, verificar se existe alguma doença que necessite ser compensada  ou tratada para diminuir as chances de complicações da cirurgia.
  • Análise do membro: é importante analisar o melhor nível de amputação para cada caso, verificar as condições locais, para que o membro remanescente seja o mais saudável possível.
  • Análise do ambiente domiciliar e de trabalho: deve-se analisar o ambiente que o paciente freqüentará após a cirurgia para ver quais as necessidades de adaptação que deverão ser tomadas. 
  • Planejamento da cirurgia e reabilitação: o paciente deve se informar de todos os aspectos relacionadas à cirurgia, internação e reabilitação. Ele deve saber como será a anestesia, se necessitará de novas cirurgias, como será o controle de dor, quais exercícios deve fazer e  qual o plano de protetização. Quanto mais informado é o paciente, melhor passará pelos obstáculos que estão por vir.

Quais os riscos e complicações?

De maneira geral, com o devido planejamento, a cirurgia de amputação deverá transcorrer sem maiores complicações. De qualquer maneira, como em qualquer procedimento cirúrgico, existem alguns riscos e complicações. Dentre elas podemos citar:

  • Dor fantasma.
  • Deiscência de ferida operatória.
  • Infecção.
  • Hematomas.
  • Irregularidade do coto de amputação.
  • Trombose Venosa profunda.
  • Necessidade de novas cirurgias.
  • Necessidade de subir o coto de amputação.

A cirurgia de amputação. Quais são as etapas?

O tempo de internação total varia de 2 a 14 dias, dependendo do tamanho da amputação e do quadro clínico do paciente.

A anestesia poderá ser geral (aquela em que o paciente dorme durante todo o procedimento) ou raquianestesia (feita por uma punção na coluna, e que deixa o paciente anestesiado da cintura para baixo). Elas podem ser associadas também.

O cirurgião irá fazer a amputação no nível que foi planejado previamente. Existem alguns níveis de amputação que são mais favoráveis para a cicatrização do coto e para posterior uso de prótese.

 O objetivo é retirar totalmente a parte do membro que esteja doente e manter um coto de amputação com tecido saudável.

Após a decisão do nível de amputação, o cirurgião irá realizar a incisão pensando no posterior fechamento. Ele vai realizar a ligadura de vasos, nervos e de tecidos musculares. Depois realizará o corte e regularização do osso para que o coto fique  pronto para uma futura protetização. Sempre que possível, os músculos serão reinseridos no osso para evitar deformidades e melhorar a função do coto (miodese). 

Dependendo do motivo da amputação, o cirurgião poderá optar por fechar  a pele imediatamente ou manter aberta para avaliar se os tecidos estarão saudáveis para uma boa cicatrização. Isto depende do motivo da amputação e do aspecto intraoperatório.

No término da cirurgia, são feitos curativos para evitar infecção e podem ser utilizados drenos para evitar o acúmulo de hematomas.

Após a cirurgia, são utilizados antibióticos para evitar infecção e analgésicos para controle de “dor fantasma”. A fisioterapia começa imediatamente para que o paciente já tenha condição de se movimentar  e de se cuidar em casa. No caso de amputação de membro inferior, o paciente irá treinar a marcha com o uso de andador ou muletas.

Quando houver controle de dor , o curativo tiver um bom aspecto , e o paciente estiver confiante para realizar seu autocuidado, ele estará pronto para sair do hospital e ir para casa.

O que é a dor fantasma de amputação?

A maioria dos pacientes ainda terá um sensação do membro que foi amputado. Em grande parte, esta sensação será dolorosa. A dor fantasma é uma sensação de dor ou desconforto no membro que foi amputado. Esta dor acontece entre 60 a 80% casos de amputação.

Quando essa dor é muito importante, são prescritos medicamentos para controle da dor.

O que acontece após a cirurgia de amputação?

Após a cirurgia de amputação, inicia-se o período de reabilitação pós- operatória inicial e tardia.

No período pós- operatório inicial, os objetivos são:

  • Cicatrização da ferida operatória.
  • Controle da dor fantasma.
  • Prevenção de complicações.
  • Reabilitação com fisioterapia.
  • Exercícios para retorno às atividades diárias e independência.
  • Apoio psicológico.

No período pós- operatório tardio, a chance de complicações diminui, e o foco passa a ser a reabilitação e o planejamento de uma possível protetização.

 

Como é a reabilitação?

A perda de um membro pode representar uma enorme perda de função, mobilidade e auto-estima para o paciente. Isto pode ter um grande impacto na sua participação e integração no seu convívio social. É importante recuperar essas perdas e permitir ao paciente  a sua independência e o retorno à suas atividades diárias.

A reabilitação do paciente, inclui não apenas a reabilitação do membro perdido, mas também a recuperação de sua saúde, de sua auto- confiança, e de  sua integração na sociedade.

No período pós- operatório tardio, os objetivos são:

  • Controle da dor fantasma
  • Planejamento de protetização quando possível
  • Alongamento do coto para que tenha perfeita movimentação
  • Fortalecimento da musculatura do coto 
  • Modelagem do coto com faixas elásticas
  • Prescrição da prótese
  • Treino do uso da prótese
  • Reintegração de suas atividades diárias
  • Reintegração ao convívio social
  • Reintegração ao trabalho
  • Acompanhamento

Vou conseguir usar uma prótese?

A prótese é um substituto do membro ausente.

Depois que houver a completa cicatrização da ferida operatória, diminuição do inchaço local, e recuperação da força e do arco de movimento do coto, deverá ser considerada a protetização do membro.

Antes de escolher uma prótese específica, algumas perguntas devem ser respondidas:

  • Quais atividades você deseja realizar com a prótese?
  • Você deseja andar ou correr?
  • Você se importa com o aspecto estético da prótese?

 

  Estas respostas são importantes para que o paciente e seu médico decidam qual a prótese mais adequada para cada um. Não existe um tipo de prótese que seja melhor para todos.

A possibilidade de protetização depende do nível de amputação, dos músculos que foram reinseridos no osso, da saúde geral e força do paciente, da causa da amputação e da reabilitação adequada do coto com a fisioterapia que irá proporcionar força e evitar as deformidades do coto de amputação.

Quanto dura uma prótese?

Dependendo da sua idade, nível de atividade e crescimento, a prótese pode durar de meses a vários anos. Nos meses iniciais após a amputação do membro, muitas alterações de cicatrização ocorrem no membro residual,que podem levar ao encolhimento do mesmo. Isso pode exigir trocas de soquete, revestimentos ou até mesmo próteses diferentes. O aumento do nível de atividade e o desejo de realizar mais atividades podem criar a necessidade de uma alteração na prótese ou em alguns de seus componentes. Depois de diversos ajustes da prótese , serão necessários apenas  pequenos reparos ou manutenções periódicas, sendo que a prótese pode durar em média três anos. Sua prótese deve ser verificada regularmente pelo seu protético para evitar maiores problemas.

É difícil usar uma prótese?

Aprender a usar uma prótese é não é uma tarefa fácil. É preciso tempo, esforço, força, paciência e determinação.É necessário um treinamento e orientação de um médico fisiatra.Em geral , também é importante a participação de um  fisioterapeuta familiarizado com amputados.No início, o uso da prótese é estranho , mas com a prática, o paciente acaba se familiarizando. Você irá aprender a:

  • Cuidar da prótese
  • Colocar e retirar a prótese
  • Andar em diferentes tipos de superfícies, incluindo escadas e superfícies irregulares.
  • Aprender a lidar com quedas.
  • Realizar atividades domésticas e no trabalho.
  • Treino de marcha.

Impacto psicológico da amputação. Ainda existe um tabu?

A perda de um membro pode ter um impacto muito profundo no psicológico de uma pessoa.

Em alguns casos , o momento da amputação pode ser decidido e planejado previamente, permitindo um preparo psicológico do paciente que deverá passar por esse momento. Em outros casos, a amputação tem que ser feita de forma urgente, não permitindo o preparo prévio do paciente, que deverá criar forças e superar esta situação apenas após o procedimento.

Quanto custa uma prótese?

O Sistema único de saúde (SUS) fornece próteses básicas e reabilitação de forma gratuita, com os recursos dos pagadores de impostos. 

Já as próteses modernas e com recursos de suspensão, ou para atividades esportivas de alto desempenho devem ser adquiridas de forma particular e  podem custar milhares de reais, chegando a valores semelhantes de um automóvel.

O que mais o paciente com indicação de amputação deve saber?

Ao meu ver, a cirurgia de amputação não deve ser encarada como o final de um tratamento mal sucedido. Na verdade, ela deve ser considerada um recomeço. Um recomeço de uma vida livre de um membro que era fonte de dor e sofrimento.  Muitos caminhos estarão abertos após a cirurgia de amputação e ainda haverá muitos motivos para sorrir e viver.

Dr. Daniel Rebolledo

  • Membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT)
  • Membro da Sociedade Internacional de Salvamento de Membro (ISOLS)
  • Médico Assistente do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP)
  • Médico Consultor do Grupo de Oncologia Ortopédica do Hospital Mário Covas da Faculdade de Medicina do ABC
  • Membro da Associação Brasileira de Oncologia Ortopédica (ABOO)
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